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Capítulo 2

Era uma coisa discutir o acordo humilhante atrás de uma porta fechada com um advogado solidário. Era outra enfrentar seu objeto em carne e osso. Sozinha. Sem acompanhante. A audácia disso teria visto uma dama da alta sociedade exilada por uma temporada.

Mas Annabelle Thornbury não era uma dama da alta sociedade. Ela era, como Henderson dissera, do comércio.

— Dê-me um momento, Jenkins.

Alaric foi até o espelho rachado ao lado da lareira, ajeitou a trança prateada do uniforme, ajustou a gola e forçou o rosto a assumir algo impenetrável. Não deixaria ela ver seu desespero, não deixaria ela ver o homem que passara a manhã avaliando a prataria da família. A encontraria como o Duque de Velloway ou não a encontraria.

— Leve-me até ela.

Caminhou pelos corredores de Blackwood Manor com passo militar, as botas ecoando na pedra. O frio úmido penetrava seus ossos. Geralmente o ignorava, uma penitência por seu fracasso; hoje o sentia, e esperava que ela também sentisse. Que o frio a fizesse voltar às fogueiras de carvão do pai.

Entrou na sala de estar como entraria em um campo de batalha, cabeça erguida, espinha reta.

Ela estava de pé junto à lareira, de costas para ele, estudando um retrato embaçado de sua bisavó, a formidável Duchess Georgiana. O fogo que Jenkins acendera às pressas crepitava e projetava sombras longas sobre o papel descolado.

— Miss Thornbury. — Não era um cumprimento. Era o estalo de um chicote.

Ela se virou, sem pressa.

Ele esperava uma boneca enfeitada e extravagante, gotejando diamantes novos, desesperada para impressionar. Ou uma garota acuada, aterrorizada pelo título que estava sendo comprada para usar. Não esperava isso.

Annabelle Thornbury não se parecia em nada com as debutantes pálidas de Londres. Vestia um vestido de viagem de veludo verde-floresta, de corte severo e moderno, sem uma única fita, o tecido tão fino que anunciava sua riqueza mais alto do que qualquer tapeçaria. Seu cabelo tinha a cor de cobre polido, puxado para trás com firmeza, o que apenas aguçava os ossos elegantes de seu rosto. Seus olhos eram de um verde frio, como musgo em pedra de rio, e totalmente sem impressão.

Ela não fez reverência. Não corou. Examinou-o das botas ao rosto com o distanciamento de um comprador avaliando um cavalo.

— Your Grace. — Sua voz era baixa e uniforme. — Obrigada pelo seu tempo.

— Você não o solicitou — disse ele, entrando mas mantendo distância. — Você invadiu minha casa.

Um sorriso seco e pequeno tocou sua boca sem alcançar os olhos. — Esperar por um convite costuma desperdiçar tempo. Meu pai me ensinou que tempo é a única coisa que uma pessoa não pode comprar.

— Seu pai parece acreditar que pode comprar todo o resto.

— Geralmente pode. — Ela se moveu lentamente pela sala, passou um dedo enluvado ao longo de uma mesa lateral marchetada, olhou para a poeira sobre ela e limpou-a. — Você tem uma propriedade linda, Duque.

— Não preciso da sua avaliação.

— Não era uma avaliação. — Ela ergueu os olhos para a mancha de umidade se espalhando pelo gesso como um hematoma. — É um fato. É linda. E está desmoronando.

O calor subiu pela nuca dele. Era uma coisa saber que sua casa estava ruindo e outra ter uma estranha dizendo isso na sua cara.

— Você se excede, senhorita — avisou ele, a voz baixando.

— É isso que você chama? — Ela fez um gesto abrangendo o chaise desbotado, as teias de aranha nos cantos altos, o tapete persa gasto até a trama. — Eu chamo de má administração. Chamo de negligência. — Encarou-o completamente, queixo erguido. — Somos ambos pessoas de negócios, Your Grace. Não vamos fingir o contrário.

— Eu sou um Duque — disse ele, erguendo-se em toda sua altura. — Sirvo à Coroa e ao meu povo. Não sou uma pessoa de negócios. E você é—

— Sou a filha do meu pai — completou ela, sem nenhuma vergonha, e algo próximo do orgulho. — Entendo livros-contábeis, Duque. Ativos e passivos. E não tenho intenção de me casar com uma ruína, por mais antiga que seja a pedra ou azul o sangue.

Ele a encarou. Ela falava de casamento como se fosse a fusão de duas linhas ferroviárias, nenhum romance, nem mesmo a ficção educada de uma união social. Brutal. Honesta. Repugnante.

— Então vá embora — disse ele. — A porta está ali. Não pedi por você, nem pelo dinheiro do seu pai.

— Não pediu? — O olhar dela não vacilou. — Os advogados dele acredita no contrário. Dizem que o banco executa a hipoteca da fazenda da casa em duas semanas. Dizem que você não tem dinheiro para aquecer esta sala. — Ela puxou o paletó de veludo para mais perto do corpo, embora seus olhos permanecessem duros. — Meu pai está comprando seu título. Sua linhagem, para seus netos. Em troca você recebe o dinheiro para consertar seu teto e alimentar seus arrendatários. É uma transação. Vim ver a mercadoria.

— Mercadoria. — Arrancou-se dele antes que pudesse impedir. Deu um passo à frente, punhos ao lado do corpo. — Você ousa me chamar de mercadoria?

Ele se ergueu sobre ela, usando seu tamanho, sua raiva. Homens se acovardavam diante disso.

Annabelle Thornbury não. Nem pestanejou. Inclinou a cabeça para trás para sustentar o olhar dele.

— Não é? — disse ela baixinho. — Você está vendendo seu nome. Eu sou o pagamento. Ou melhor, eu sou o recibo.

Por um momento ele não conseguiu falar. Suas palavras despiam cada justificativa que ele construíra, de que estava se sacrificando pelo seu povo. Ela fazia parecer como se estivesse vendendo seu corpo.

Mas sob o aço ele viu outra coisa, um clarão nos olhos verdes, uma tensão no maxilar. Ela o atacava, e se defendia.

— E você? — Sua voz ficou suave e perigosa. — O que é você nesta transação, Miss Thornbury? A compradora? Ou a moeda que seu pai entrega do outro lado da mesa?

Atingiu o alvo. Ele viu o clarão disso, dor ou raiva, puxando a boca dela.

— Sou aquela que terá que viver aqui — disse ela, o tom de negócios sumindo da voz e algo mais pessoal por baixo. — Sou aquela que dormirá neste mausoléu cheio de correntes de ar e terá filhos com um homem que me olha como se eu fosse algo em sua bota. Então me perdoe se quero ter certeza de que o teto não desabará enquanto eu faço isso.

Ela passou por ele, as saias roçando suas botas. Seu perfume o alcançou, não a água de rosas da corte mas algo mais forte. Sândalo e baunilha. O perturbou.

Na porta ela se virou. A luz cinzenta da janela a emoldurava e iluminava o cobre de seu cabelo contra a penumbra.

— Vou embora — disse ela, alisando as luvas. — Mas meu pai retorna amanhã, e trará o contrato. Encene seu orgulho ofendido o quanto quiser, Duque. Grite e proteste e olhe para nós de cima do seu nariz. Ambos sabemos que você vai assinar.

Ela fez uma pausa, o olhar percorrendo-o mais uma vez, não com admiração mas com uma curiosidade fria e calculista.

— A única questão — acrescentou — é em quais termos.

— Sou o Duque de Velloway. — As palavras pareceram ocas mesmo enquanto as dizia. — Esta é minha terra. Os termos serão meus.

— Veremos. Até amanhã, Your Grace.

Ela abriu a porta ela mesma, ignorando a campainha, e saiu majestosamente para o corredor.

Alaric ficou sozinho na sala fria. O fogo sibilava. Sua bisavó olhava para ele de sua moldura como se decepcionada.

Foi até a janela e observou uma carruagem moderna e elegante descer a entrada de carroços rachada, jogando lama sobre os leões de pedra no portão.

Estava humilhado. Estava enfurecido. E pela primeira vez em meses não estava apenas entorpecido; a entorpecença se queimara no calor do cabelo de Annabelle Thornbury e no gelo de sua língua.

Henderson estava errado, percebeu. Isso não seria um compromisso, e certamente não seria um casamento.

Seria uma guerra.

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