Na manhã seguinte, a biblioteca de Blackwood Manor parecia menos um escritório do que um tribunal à espera de um veredito.
Alaric estava de pé diante da lareira, de costas para o aposento, olhando para a grelha fria. Não havia dormido. Annabelle Thornbury o mantivera acordado — o vestido esmeralda, a língua afiada, a recusa absoluta em se intimidar. Ele esperava um sacrifício e encontrou uma adversária.
Às dez horas, as portas se abriram. Sem anúncio de Jenkins desta vez; o homem que entrou não dependia de criados.
Silas Thornbury tinha o porte de um touro, não alto, mas largo, os ombros engrossados pelo trabalho na juventude e a barriga pelo conforto dos anos posteriores. O terno cinza-carvão lhe caía mal, tensionando nos botões como se o homem por dentro estivesse demasiado inquieto para ser contido. O rosto era vermelho e marcado pelo tempo, os olhos pequenos, escuros e duros.
Ele entrou na sala secular como um homem inspecionando um armazém que pretende comprar e demolir.
„Duque." Não fez reverência. Deixou cair um pesado portfólio de couro sobre a escrivaninha. „Não vamos perder tempo. Tenho um trem às três."
Atrás dele, silenciosa, com o único som do roçar da sarja, veio Annabelle. Azul-marinho hoje, o que fazia seu cabelo ruivo brilhar como fogo. Carregava uma pasta de couro própria, segurada contra o peito como um escudo. Não olhou para Alaric. Tomou uma cadeira de encosto alto e sentou-se, não com a elegância de uma dama, mas com a vigilância ereta de um soldado.
„Mr. Thornbury." Alaric virou-se lentamente e manteve a voz baixa, em contraste com a arrogância do outro homem. „O senhor é pontual."
„Tempo é dinheiro." Silas retirou um maço de papéis. „Henderson viu o rascunho. É padrão. Painosamente padrão, pelo preço que estou pagando por um monte de pedras molhadas e um título elegante."
„O senhor está pagando por uma linhagem mais antiga que os Tudors, senhor."
„Estou pagando por credibilidade." Silas destampou uma caneta com um estalo. „Para que, quando eu entrar na London Exchange, aqueles abutres de sangue azul não me olhem como se eu tivesse vindo recolher os pratos. Estou comprando respeito, Blackwood. O senhor está vendendo porque não consegue manter a chuva fora da cabeça dele." Ele empurrou os papéis para a frente. „As dívidas estão no Apêndice A. Todas elas — hipoteca, empréstimos, notas de jogo. Pagas integralmente. Mais uma verba para a manutenção da propriedade, o que significa que estou colocando o senhor de salário na sua própria casa."
Alaric olhou para o documento, espesso e denso em jargão. Sua sentença de morte como homem livre.
„E a condição", disse ele, embora soubesse.
„O casamento." Silas gesticulou na direção de Annabelle como se ela fosse mobília no lote. „O senhor casa com a garota. Ela será Duquesa. O senhor tem um herdeiro homem em cinco anos. O menino carrega seu nome e herda meu dinheiro. Simples. Limpo."

Alaric olhou para Annabelle. Ela encarava o vazio à frente, pálida, os lábios uma linha fina, imóvel como uma estátua.
Henderson saiu de seu canto. „É, é uma oferta muito generosa, Your Grace. Dadas as circunstâncias."
Alaric pegou a caneta. A ponta pairou sobre a linha.
Pensou nos Miller. No telhado que vazava. Nos cofres vazios, nos aposentos gelados. Não tinha escolha; sabia que isso viria há meses. Contudo, o ato em si, a tinta no papel, parecia uma lâmina penetrando entre suas costelas.
Ele baixou a caneta. A ponta tocou a página.
„Espere."
A palavra foi silenciosa, e cortou a sala como um tiro.
Alaric parou. Silas virou-se. „O que você disse?"
Annabelle estava de pé. Não olhou para o pai. Olhou para Alaric, e seus olhos não estavam com medo. Estavam furiosos.
„Eu disse espere." Ela aproximou-se da escrivaninha e colocou sua própria pasta precisamente sobre o contrato.
„Annabelle, sente-se." Silas avermelhou-se. „Discutimos isso. Os adultos estão conversando."
„Não, o senhor discutiu." Ela virou-se para ele. „O senhor definiu um preço para um título. Definiu um preço para meu corpo. Mas esqueceu uma coisa, pai."
„E o que seria?"
„Que sou eu quem vai morar aqui." Ela virou-se de volta para Alaric. „Your Grace, meu pai é um homem brilhante com aço. É um tolo com gestão."
Alaric endireitou-se, apanhado de surpresa, apesar de si mesmo. „É mesmo."
— Ele pagará suas dívidas — disse ela, clara e precisa. — Ele remendará seu telhado. Mas não resolverá o problema. Esta propriedade sangra dinheiro porque é administrada como um reino feudal três séculos atrasado. Assine esse papel e você se torna seu pensionista, livre de dívidas, sim, e ainda assim impotente. Quando a pensão secar daqui a dez anos, você estará arruinado de novo.
— Annabelle! — Silas bateu a mão na mesa. — Chega. Fique em silêncio.
Ela não lhe dirigiu nem um olhar. Estava fixa em Alaric.
— Não sou uma marionete para ser entregue, Your Grace. Não serei sua duquesa quietinha e obediente fazendo bordados num canto enquanto você e meu pai arruínam tudo.
Ele viu o branco dos dedos dela agarrados à borda da mesa. Ela estava assustada, ele compreendeu, do pai, desse casamento, e ainda assim lutava.
— O que você está propondo, Miss Thorne?
— Um novo acordo. — Ela abriu a pasta. Não estava vazia; estava cheia de anotações, observações de sua breve turnê não convidada no dia anterior. — Você recebe o dinheiro do meu pai. Isso é a base. Você precisa dele; ambos sabemos. Em troca, eu recebo outra coisa.
— Você passa a ser Duchess — Silas bufou. — Esse é o acordo.
— Esse é o seu acordo, pai. Isso é vaidade. Não me importo com o título. Me importo com o trabalho. — Ela se inclinou sobre a mesa, invadindo o espaço de Alaric. — Você fica com o dinheiro. Eu fico com a autoridade. Não no nome. Na prática.
— Autoridade — disse Alaric.
— Controle total. — Ela listou como cláusulas de um tratado. — Da casa. Das contas. Da propriedade. Cada razão, cada recibo, cada arrendamento. Eu decido quais culturas plantamos e quais reparos vêm primeiro. Eu contrato e demito a equipe.
— Ridículo — Silas riu. — Ela acha que é uma contadora.
— Sou a contadora que salvou sua linha de Liverpool da falência no ano passado, pai. — Sua compostura rachou por um segundo, revelando a frustração crua por baixo. — Eu encontrei o erro na folha de pagamento de Sheffield. Sou o motivo pelo qual seu império não desabou sob o peso do seu próprio ego.
A boca de Silas se fechou. Era verdade, e Alaric viu o homem saber disso.
Annabelle respirou fundo, ajeitou o vestido, recuperou a calma. — Não vou me casar com um homem que me trata como uma égua reprodutora. E não vou viver numa casa caindo aos pedaços porque seu mestre é orgulhoso demais para administrá-la. — Ela pousou as mãos espalmadas sobre a mesa e olhou para ele, o desafiando. — Então. Meus termos, Your Grace. Você fica com a fortuna. Você fica com o herdeiro, se a natureza permitir. Mas Blackwood, o negócio de ser um Duke, passa para mim. Você é parceiro no nome. Você veste o uniforme, senta na Câmara dos Lordes, representa o papel. Em cada questão de dinheiro, cada questão da propriedade, você responde a mim.
O silêncio foi total. Henderson parecia desmaiar. Silas Thorne parecia atordoado, olhando para a filha como se fosse a primeira vez, não um peão, mas uma jogadora.
Alaric a encarou. Ela estava pedindo sua rendição, pedindo que ele entregasse as rédeas de sua casa ancestral a uma filha de comerciante que conhecia há um dia.
Era insultante. Era ultrajante. E era brilhante.
Ele olhou para o contrato. Olhou para a tinta vermelha no razão de Henderson, o fracasso daquilo. Ela estava certa. Ele tinha falhado. Sabia morrer por aquele lugar; não sabia salvá-lo.
Ela parecia saber viver por ele.
Algo virou em seu peito, não alívio, algo mais cortante. A antiga emoção de encontrar uma igual em campo de batalha.
— Você quer administrar Blackwood — disse ele.
— Eu pretendo salvá-lo — ela corrigiu.
— E eu devo ser o quê? Uma figura decorativa?
— Você deve ser o Duke. Seja o símbolo. Deixe-me ser o motor.

Ele olhou para Silas. O homem mais velho os observava, um respeito relutante em guerra com seu temperamento.
— Pois então? — Silas grunhiu. — Parece que minha filha tem meus dentes afinal. Você concorda, Duke? Ou nós vamos embora?
Alaric olhou de volta para Annabelle. Os olhos verdes estavam arregalados, súplices e desafiadores ao mesmo tempo. Ela tinha apostado tudo nisso. Nele.
Ele pegou a pena. Não olhou para o contrato de Silas. Virou-o para o lado em branco da última página.
— Escreva — disse a Henderson.
— Your Grace?
— O adendo. — Seus olhos permaneceram em Annabelle. — A Duchess tem procuração sobre as finanças da propriedade. A Duchess tem autoridade executiva sobre a casa. A Duchess é a sócia gestora.
Assinou na página em branco, o traço menos uma rendição do que uma declaração de guerra, e empurrou o papel para ela.
— Sua vez, sócia.
Annabelle olhou para sua assinatura. Sua mão não estava totalmente firme quando pegou a pena e escreveu seu nome ao lado do dele. Annabelle Thornbury, em breve Blackwood.
Ela ergueu os olhos. O acordo estava feito. A armadilha havia se fechado. E pela primeira vez Alaric não tinha certeza de quem a havia armado.
— Feito. — Silas bateu a palma na escrivaninha. — O cheque está na pasta. O casamento é em três dias. Não me decepcione, menina.
Saiu marchando, já alcançando seu relógio de bolso.
Estavam sozinhos no escritório, o ar carregado de papel velho.
— Você percebe — disse Alaric friamente — que acaba de comprar uma ruína muito cara.
— Eu gosto de um desafio. — A voz dela era igualmente fria, embora ele visse o pulso na garganta dela.
— E você percebe que não sou um homem que aceita ordens.
Ela não recuou. Ergueu o queixo.
— Então aprenda depressa, Your Grace. Não sou uma mulher que gosta de repeti-las.
Ela se virou e saiu, deixando-o com seu cheque, sua propriedade salva e o conhecimento perturbador de que acabara de se casar com a única pessoa que talvez fosse mais forte do que ele.
