As persianas do meu escritório estão abertas porque quero que Yusra veja o chão de montagem quando responder. Lembretes sutis de que ainda temos uma equipe.
«O LCA do nosso primeiro piloto foi para o espaço.» Mantenho o nome fora da sala. Todo mundo aqui sabe disso há seis meses. «Assinamos um substituto por uma temporada. Anúncio na sexta em Monaco, às onze em ponto. Naomi, você tem minhas anotações.»
A caneta de Naomi desliza pelo tablet, três toques, um gesto. «Impacto nos patrocinadores?»
«Halliwell continua como principal.»
«Ele vai estar na coletiva de sexta?»
«Vai mandar o vice-diretor.»
«Foto conjunta ou separada?»
«Separada.»
Ela mantém os olhos baixos. «Origem do piloto? Última equipe? Tem alguma coisa que a gente possa vazar com três ou quatro veículos de confiança para amortizar a manhã?»
«Nada vaza antes. Seguramos o nome até as onze.»
Agora ela levanta os olhos. Ela é minha press officer há quatro anos e o único som entre nós agora é o ar-condicionado. O queixo dela se move uma fração — um aceno — e a caneta volta para o tablet.
Do outro lado da mesa, Yusra ainda não abriu o laptop. Ela segura uma pasta de papel contra a coxa e o polegar atormenta a borda. Quando eu olho para ela, ela encontra o olhar e a expressão dura exatamente dois segundos a mais do que o cordial.
«Yusra. Alguma coisa do lado da engenharia?»
«Telemetria», ela diz. «Se o novo piloto tiver dados históricos, precisamos ingeri-los hoje à noite. Quero setenta e duas horas com os onboards antigos dele antes do simulador na quarta.»
«Você vai ter isso hoje à noite.»
A borda da pasta para de se mover. Trabalhamos juntas há seis anos. Ela nunca me fez uma pergunta cuja resposta já não soubesse pela metade. Ela deixa esta ficar no ar.
Leo abre a porta sem bater, dois copos de papel na mão esquerda, a direita já erguida em pedido de desculpas. Suéter cinza-claro. Mocassins sem meia. Parece saído de uma revista.
«Dois minutos, meninas. Por favor.»
Naomi sorri para ele. A boca de Yusra fica imóvel.
«Ei, sis.» Ele coloca um flat white na minha frente, fica com o outro, senta na borda da mesa. Ele me chama assim desde o verão em que completei onze anos e ele decidiu que «irmã mais velha» era longo demais. A tatuagem das nossas iniciais no pulso direito escorrega para dentro da manga quando ele move o braço. «Tudo bem?»
«Tudo bem.»
«O piloto?»
«Sexta, às onze.»
«Você não conta para o seu próprio irmão?»
«Não conto para o meu próprio Operations Director até sexta às onze.»
Ele põe uma mão no peito, fingindo uma ferida. «Ai.» O rosto dele amolece no sorriso que nos rendeu quatro patrocinadores em dois anos. «Você me avisaria se fosse ruim, né?»
«Não é ruim.»
Essa é a primeira mentira que já contei ao meu irmão. Ela sai da minha língua com uma suavidade que me assusta mais do que a própria mentira.

A varanda do lado do porto da suíte é mais larga; a varanda do lado da marina é mais estreita e mais perto da água. Fico com a estreita.
Barcos. Luzes. Eu os conto.
Quarenta e sete. O próximo desliza para dentro de uma esteira que muda o ângulo da luz de navegação de um iate — começo de novo. O sal já está no meu cabelo. O relógio no meu pulso esquerdo marca onze e trinta e sete.
Lá dentro, desfaço uma mala devagar — o gesto de dobrar as camisas nas gavetas aquieta as minhas mãos. O Mont Blanc vai para a escrivaninha ao lado de uma cópia impressa novinha do contrato que Jax queimou no Texas. Quarenta e seis páginas. Tive o bom senso de trazer uma cópia.
O sinete do meu pai está na minha mão direita. No Texas, o brasão tinha virado para dentro contra a palma com tanta força que o ouro pressionou uma pequena marca branca na carne do meu polegar. Esta noite em Monte Carlo, sozinha num quarto que estou pagando com dinheiro que a equipe não tem, giro o anel. O brasão fica para fora pela primeira vez em oito dias. Um pequeno clique de disciplina liberada.
O telefone vibra: Naomi. Atendo no terceiro toque porque no segundo pareceria ansiedade e no quarto, descaso.
«Onze em ponto. Apresentação fria. Ele chega às dez e quarenta, fica nos bastidores. Você apresenta, ele entra, sem perguntas sobre história pessoal.»
«Concordo.»
«E Claire.» Uma pausa curta. «Tente dormir. O seu rosto na sexta-feira é o rosto da equipe.»
Guardo o pensamento para mim, que é o de que o meu rosto na sexta-feira será o rosto de uma mulher que passou oito dias esperando para descobrir o que ele quis dizer com a palavra interesse.
O nosso bay cheira a borracha quente e espresso e à leveza química e adocicada da poeira de carbono. O carro está nos macacos, as duas rodas traseiras removidas, cabos de telemetria serpenteando pelo compartimento do motor. Dois mecânicos de polo vermelho murmuran sobre um tablet. Yusra está ao meu lado, fone no ouvido, planejando os próximos noventa minutos do jeito que ela planeja cada noventa minutos da sua vida, o que significa sem jamais olhar para o próprio pulso.
Atrás de mim, o pit lane está acordado. Motores, o baque de carrinhos, três idiomas num raio de seis metros. Pat-pat-pat das pistolas pneumáticas na garagem da McKenna, duas portas abaixo.
A figura na porta aberta da garagem usa uma jaqueta de couro marrom desgastada e uma camiseta branca simples. Sem credencial. Os mecânicos sobre o tablet continuam no trabalho, porque credencial importa para a equipe de portaria, e equipe de portaria importa para a segurança: dentro de uma garagem a uma hora de uma coletiva de imprensa, o que importa é quem as pessoas reconhecem.
Yusra o reconhece.
O queixo dela se move um grau. O fone fica no ouvido. Ela me olha.
Levanto a mão do capô do carro. Dois dedos. Depois um pequeno gesto em direção ao fundo da garagem, onde fica a bancada dos engenheiros. Ela capta o sinal sem uma palavra, reúne os dois mecânicos e o tablet, e os quatro passam para a sala dos fundos. A porta fica entreaberta. Isso também é Yusra.
Jax dá três passos para dentro da garagem e para na asa dianteira.
«Mrs. Eldridge.»
«Thornton.»
Ele olha para o carro do jeito que costumava olhar para carros. Então deposita quatro folhas de papel sobre a superfície preta polida da tampa do motor. Grampeadas no canto superior esquerdo, um único grampo. A fonte é simples. As margens são mais largas do que as minhas eram.
«Seção um.» A voz dele é a mesma de quando estava no Texas. Baixa. Espaçada. «Não concedo entrevistas, não comento nem especulo publicamente sobre estratégia de corrida. Naomi tem autoridade total sobre o que digo a um microfone, por escrito ou a um membro da imprensa.»
Meus olhos ficam na página.
«Seção dois. A participação acionária descrita na sua Seção oito é eliminada. Aceito remuneração mínima conforme a tabela FIM-W. Qualquer bônus de pódio acumulado em meu nome será redirecionado a um fundo filantrópico registrado de minha indicação.»
«Qual fundo?»
«Já consta no anexo. Você verá na última página.»
Não viro a página. Há um som em algum lugar dentro do meu peito que vou tratar mais tarde.

«Seção três. Nenhuma coletiva de imprensa conjunta com a Managing Director após a primeira aparição na sexta-feira. Naomi organiza todas as chamadas de mídia.»
Ele para com a mão plana sobre a quarta seção. Três segundos.
«Seção quatro. Posse pessoal fora de pista. Definida pelas partes em caráter privado. Não sujeita a mídia, revisão jurídica ou cláusulas de rescisão por nenhuma das partes.»
O relógio no meu pulso toca. Eu o ouço porque o resto do prédio ficou em silêncio. Ele está esperando.
Leio a seção quatro de novo. Depois uma terceira vez, movendo os lábios sem som, porque lê-la em voz alta seria concordar com ela antes de ter concordado.
«Vou precisar de quinze minutos.»
«Você tem cinco.»
Os olhos dele prendem os meus. A mão continua plana sobre a página. Ele coloca as quatro folhas no capô e recua dois passos, longe o suficiente para me deixar com a página só para mim.
Fico de pé. A fibra de carbono está quente sob minha palma. Conto as respirações porque contar é o que faço quando não há mais nada para contar. Um. Dois. Três. No doze, já decidi.
O Mont Blanc sai do bolso do meu paletó. A tampa está pegajosa na minha mão porque o ar nesta garagem é úmido e eu a seguro há dez minutos sem saber.
Assino no capô do carro de corrida, porque não há mesa nesta sala que ele e eu dividimos. A ponta pega uma vez, levanta uma rebarbazinha microscópica de tinta, e uma pequena gota preta cai no meu dedo anelar direito, logo abaixo da crista do sinete do meu pai, e fica ali. Eu a deixo.
Jax dá um passo à frente. Ele apoia a mão direita, aberta, no capô, a um centímetro da minha. A palma é larga — a pele escurecida pelo sol acima do pulso onde a manga do paletó subiu, um tênue traço escuro de óleo de máquina ainda sob a unha do polegar apesar de um banho recente. Os dedos ficam imóveis. Ele mantém a distância. Ele está me deixando sentir o calor do carbono através do metal através do ar, e esse calor tem uma fonte.
Depois ele pega as quatro páginas, dobra-as ao longo da linha do grampo uma vez, mais uma vez, e as desliza para o bolso interno do paletó. Eu noto o bolso porque estou notando tudo.
Ele se vira. No limiar da garagem, de costas para mim, diz: «See you at the after-party tomorrow night, Mrs. Eldridge.»
A porta rola para baixo atrás dele. Yusra sai da sala dos fundos com o fone no ouvido. Os mecânicos voltam ao tablet. O tac-tac-tac das pistolas pneumáticas recomeça duas portas adiante.
Olho para as minhas mãos. O Mont Blanc em uma. Uma gota preta na outra, ao lado de uma crista voltada para fora, o ouro captando a luz. Na escrivaninha do meu quarto no Hôtel de la Mer, seis andares e quatro ruas daqui, quarenta e seis páginas intocadas repousam com a face para cima ao lado de um telefone que deixei apagado desde que pousamos.
Oito minutos para a coletiva de imprensa. Endireito os ombros. Depois vou à sala dos fundos e digo a Yusra para iniciar o relógio do anúncio formal.
