TaleSpace

O Rugido

Eu tropecei, os saltos das minhas botas derrapando na lama escorregadia enquanto eu tentava livrar meu braço de seu aperto.

"Me solta!", eu gritei, o som saindo da minha garganta cru e sem polimento. "Você está me machucando! O que diabos há de errado com você?"

Ele não respondeu. Nem sequer olhou para trás. Apenas continuou me arrastando para frente como se eu fosse um peso morto, como uma das malas que ele tão gentilmente havia abandonado na pista. O aperto dele no meu bíceps não era apenas forte; era punitivo. Parecia menos uma mão humana e mais uma armadilha de aço se fechando na minha carne.

"Jake, eu disse para me soltar!" Eu finquei meus calcanhares na terra macia, tentando usar o peso do meu corpo como âncora.

Foi como tentar parar um trem de carga. Ele deu mais um passo, a resistência na linha se esticou ao máximo, e eu fui arrancada do meu equilíbrio. Eu me choquei contra as costas dele, o impacto me tirando o fôlego. As costas dele pareciam uma parede de tijolos envolta em algodão úmido.

Ele parou então. Finalmente.

Ele se virou devagar, e eu puxei o ar, pronta para soltar uma torrente de insultos. Eu estava pronta para demiti-lo. Estava pronta para processar o resort. Estava pronta para ver raiva no rosto dele.

Mas não vi raiva.

Eu vi medo.

Não, não medo. Não o tipo de medo que eu conhecia — o pânico frenético, barulhento e caótico de perder um voo ou um patrocinador. Isso era algo ancestral. Isso era um cálculo frio, focado e predatório. Suas narinas se dilataram, testando o ar. Seus olhos verdes selvagens não estavam olhando para mim; eles estavam olhando através de mim, varrendo a copa das árvores, as sombras mutáveis, o céu que escurecia. Ele estava ouvindo uma frequência que eu não conseguia ouvir.

"Cale a boca", ele sibilou. O comando foi mal um sussurro, mas carregava mais peso do que um grito.

E naquele momento, o ar ao nosso redor mudou. Os pelos dos meus braços se arrepiaram, formigando com eletricidade estática. Toda a minha raiva, toda a minha humilhação — não desapareceu, mas congelou, suspensa diante de algo muito maior.

"O quê..."

"Eu disse, cale a boca. E escute."

Fechei minha boca imediatamente. Eu escutei.

A princípio, achei que estava ficando surda. Porque não ouvi nada.

A selva, que fora uma cacofonia de pássaros gritando, cigarras zumbindo e folhas sussurrando apenas sessenta segundos atrás, ficara em um silêncio mortal. Não era um silêncio pacífico. Era o silêncio de uma respiração presa. Era o silêncio de coisas se escondendo.

O único som que restava no mundo era o vibrar distante e abafado da cachoeira atrás de nós e o som áspero e arquejante da minha própria respiração.

"Jake, o que está acontecendo?", sussurrei, minha voz tremendo.

Gota.

Algo frio e pesado atingiu minha bochecha. Eu me encolhi, levando a mão para tocar o ponto úmido. Olhei para o meu dedo. Uma única gota de água.

Gota. Gota, gota.

"Mova-se", disse Jake. Não era uma sugestão.

E então o céu desabou.

Não era chuva. Chamá-la de chuva seria um insulto à natureza. Era como se o oceano estivesse suspenso acima de nós e alguém tivesse acabado de cortar o fundo. Em um segundo, o ar estava espesso e úmido; no seguinte, era água sólida.

O dilúvio nos atingiu com força física, me fazendo cambalear. Foi instantaneamente cegante, uma cortina cinzenta que apagou o mundo. O ruído era ensurdecedor — um rugido da água atingindo as folhas, atingindo a lama, atingindo a nós.

"Vá!", Jake rugiu por cima do tumulto.

Ele pegou minha mão desta vez — não meu braço, mas minha mão. Seus dedos se entrelaçaram nos meus, segurando com força. Não era mais um ataque; era uma tábua de salvação.

Nós corremos.

Ou melhor, ele correu, e eu lutei para sobreviver ao movimento.

Meu traje "jungle-chic", o tecido tecnológico cor de creme que custou 800 dólares, encharcou completamente nos primeiros três segundos. Ele grudava em mim como uma segunda pele, pesado e frio. Minhas botas, projetadas para "trilhas leves", ficaram instantaneamente alagadas. Cada passo era um pesadelo pesado e chapinhante, como correr com blocos de concreto presos aos meus pés.

"Mais rápido!", ele ordenou, me puxando para frente quando tropecei em uma raiz.

"Eu não consigo! Não consigo enxergar!", gritei de volta, protegendo meus olhos contra a torrente ardente.

"Você tem que conseguir!"

Estávamos correndo de volta pelo caminho de onde viemos, mas a trilha tinha sumido. Tinha se transformado em um fluxo de lama marrom. Eu escorreguei, meus pés perdendo o chão. Meu joelho estalou forte contra uma raiz protuberante, disparando uma pontada de dor lancinante pela minha perna.

Eu dei um grito, caindo na lama. "Jake!"

Ele não parou. Não me confortou. Ele simplesmente me ergueu com um solavanco que quase deslocou meu ombro, não me deixando perder nem um segundo de ímpeto. Minha câmera cara, balançando descontroladamente no meu pescoço, batia repetidamente contra as costas dele enquanto ele me arrastava.

"A ponte!", eu berrei, a percepção atravessando meu pânico. "Temos que atravessar a ponte!"

"Eu sei, droga! Continue andando!"

Estávamos correndo contra algo que eu não conseguia ver, mas que podia sentir. O chão sob nossos pés estava vibrando.

A princípio, pensei que fosse um trovão. Um zumbido baixo e gutural que ressoava nos ossos do meu peito. Mas o trovão estronda e desaparece. O trovão reverbera. Esse som não desaparecia. Não reverberava.

Ele crescia.

Era um rugido baixo, profundo e crescente, distinto da chuva. Parecia que um trem de carga estava atravessando as árvores a toda velocidade, rasgando a terra em sua passagem.

"O que... o que é isso?", eu gritei, cuspindo água da chuva.

Jake não respondeu. Apenas correu mais rápido. Seu rosto era esculpido em pedra úmida, mandíbula cerrada, olhos fixos à frente. Ele estava me puxando com tanta força que meus pés mal tocavam o chão lamacento.

"Jake, que som é esse?!" O pânico arranhou minha garganta, me sufocando. Não era a cachoeira. Não era o vento. Era algo vivo. Algo faminto.

"Corra!", ele berrou, abandonando qualquer pretensão de me guiar. Ele estava praticamente me carregando agora.

Surgimos na última curva, derrapando na lama, com samambaias chicoteando meu rosto. Atingimos a clareira onde o cânion se abria.

Eu paralisei. Meu grito morreu na garganta.

O cânion. Estava lá. Mas não estava.

O abismo profundo e rochoso que era apenas ar seco e um fio de água uma hora atrás tinha desaparecido. Em seu lugar, havia um monstro.

Uma parede estrondosa, lamacenta e espumante de água barrenta estava rasgando o desfiladeiro. Não estava fluindo; estava explodindo. Agitava-se com uma violência que eu nunca testemunhara na vida. Troncos imensos — árvores inteiras — eram arremessados como palitos de fósforo. Rochas do tamanho de carros estavam moendo umas contra as outras, criando aquele rugido aterrorizante de estremecer os ossos que tínhamos ouvido.

"A ponte...", sussurrei, as palavras perdidas na cacofonia.

Olhei para onde os postes de ancoragem deveriam estar.

Eu a vi. Ou melhor, vi o cadáver dela.

As tábuas de madeira do nosso lado ainda estavam lá, lascadas e sob tensão. Mas o resto dela... o meio, o lado oposto... sumira. Fora engolida. A água não estava apenas sob a ponte; estava furecendo sobre ela. O nível do rio tinha subido quinze metros em minutos.

Enquanto eu assistia, paralisada pelo horror, um imenso tronco de árvore arrancado desceu pela correnteza. Ele se chocou contra as cordas submersas da ponte.

SNAP.

O som foi como um tiro, agudo e final. Os cabos de tensão chicotearam de volta para nós, cortando o ar, e os restos da ponte desapareceram na agitação barrenta.

Chegamos tarde demais.

Fiquei encarando o espaço vazio, incapaz de me mover. Meu cérebro se recusava a processar os dados visuais. Isso não era possível. Pontes não desapareciam do nada. Rios não surgiam do nada. Devíamos estar seguros. Eu deveria estar no jantar em uma hora.

"Não... não, não, não...", eu murmurei, recuando da borda enquanto a água subia mais, comendo a terra a meros passos de nós. "Nós... nós deveríamos ter sido rápidos o suficiente..."

Virei-me para Jake, desesperada para que ele consertasse aquilo. Ele era o Guide. Ele era o especialista. Ele deveria ter um rádio, um plano, um caminho secreto.

Ele estava parado ao meu lado, o peito arfando, a água escorrendo pelo rosto. Ele encarava a torrente furiosa com um olhar que eu nunca vira nele antes. Derrota.

"E agora?", eu disse, minha voz soando alta, fina e infantil aos meus próprios ouvidos. Eu ri, um som frenético e borbulhante. "Nós apenas... apenas esperamos, certo? A água vai baixar. Estamos em terreno alto. Vamos esperar a chuva passar e vai ficar tudo bem, certo? Alguém virá."

Ele virou a cabeça lentamente para mim. A chuva grudava seu cabelo escuro ao crânio. Seus olhos verdes não carregavam nenhum desprezo agora. Nenhuma zombaria. Nenhuma raiva.

Eles carregavam apenas uma finalidade fria e brutal.

Ele deu um passo em minha direção. Em um movimento rápido e fluido, estendeu a mão e arrancou minha câmera de vlogging das minhas mãos.

"Ei!" Eu agarrei a alça, mas ele era forte demais. "Me devolva isso! É a minha filmagem!"

Ele nem sequer reconheceu meu protesto. Abriu o zíper de sua mochila tática impermeável e enfiou minha câmera lá dentro, selando-a na escuridão.

"O tour acabou, Princess", disse ele. Sua voz era aterrorizantemente baixa, distinta mesmo acima do rugido da inundação e da chuva torrencial. Ele olhou para a água agitada, depois de volta para mim.

"Aquela ponte pênsil que atravessamos já está debaixo d'água. A trilha sumiu. Ninguém vem nos buscar."

Ele ajustou a mochila nos ombros, com uma expressão sombria.

"Isso não é mais conteúdo", disse ele. "Isso é sobrevivência."

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