O ar-condicionado no Jeep particular de vidros escuros que me transportou por três horas desde o aeroporto era mais do que apenas um luxo; era uma necessidade. Ele zumbia com um silêncio artificial e caro, criando um casulo gelado perfeito que me protegia de tudo o que esperava do lado de fora das janelas fumê. Aqui dentro, eu era Ava. Eu estava segura. Eu estava no controle.
Mas então o motor parou, e o silêncio que se seguiu pareceu pesado.
"Chegamos, Ms. Ava", anunciou o motorista, virando-se para me lançar um sorriso de dentes brancos e ensaiado. "O heliponto. É até onde a estrada vai."
Respirei fundo para me acalmar, meus pulmões se expandindo contra a seda da minha blusa. Hora do show. Toquei na tela do meu celular, conferindo meu reflexo no aplicativo da câmera uma última vez. Perfeito. Nem um fio de cabelo fora do lugar, lábios no tom exato de 'Sunset Coral' que meu patrocinador estava me pagando para usar. Destravei a porta e saí.
A realidade da Costa Rica me atingiu como um golpe físico no peito.
Não era apenas calor; era um peso vivo, que respirava. A umidade era agressiva, um cobertor quente e úmido jogado instantaneamente sobre a minha cabeça. Em três segundos, pude sentir a escova cara que Lisa passara duas horas meticulosas aperfeiçoando em Los Angeles começando a ter uma morte trágica. Meu cabelo, geralmente uma cortina lisa, começou a grudar na nuca. Minha blusa de seda, sentindo-se subitamente como filme plástico, colou na minha pele.
"Perfeito", murmurei entre dentes, deslizando meus óculos Prada enormes pelo nariz para esconder o lampejo de irritação. "Simplesmente... mágico."
Olhei ao redor. Estávamos estacionados em uma placa de concreto rachado que parecia ter sido despejada no meio do nada e esquecida. Ao nosso redor, havia uma parede de verde tão densa, tão vibrante e tão imponente que parecia estar se inclinando, tentando recuperar a pequena clareira.
E então, eu o vi.
Ele não fazia parte da equipe do hotel. Eu conhecia equipes de hotel. Eles usavam linho bege, sorriam até as bochechas doerem e corriam para pegar suas malas. Aquele homem era... algo inteiramente diferente.
Ele estava encostado no esqui de um helicóptero minúsculo, que parecia uma libélula, como se tivesse brotado do próprio chão da selva. Ele era alto — imponentemente alto — com um porte que não era esculpido em academia, mas forjado pelo trabalho duro. Uma regata cáqui desbotada aderia a um peito largo o suficiente para pousar um avião, e seus braços estavam cruzados sobre ele, destacando feixes de músculos e veias que desciam até as mãos grandes e cicatrizadas.
Seu cabelo escuro estava úmido, jogado para trás da testa de forma displicente. Ele não estava olhando para a paisagem. Ele estava olhando para mim.
Não havia boas-vindas em sua postura. Nenhum aceno educado. Ele me observava com a imobilidade de um predador avistando uma gazela particularmente lenta e confusa. Era um olhar de avaliação absoluta e entediada.
Ergui o queixo à força. Eu era Ava, @AvaOnTheGo, seguida por milhões. Eu não me deixava intimidar pelos funcionários. Marchei em direção a ele, minhas sandálias anabela Jimmy Choo estalando ritmicamente no concreto. Pensando bem, as anabelas foram um erro, mas deixavam minhas pernas parecendo ter quilômetros de comprimento, e esse era o ponto.
"Oi!" Projetei minha voz, exibindo o sorriso de um milhão de dólares que ilustrara três capas de revista este ano. "Sou a Ava. Você deve ser o meu Guide?"
Ele não sorriu de volta. Nem sequer se desencostou do helicóptero. Apenas deixou seu olhar deslizar sobre mim, do topo do meu cabelo murcho até as pontas dos meus sapatos impraticáveis, e depois voltou para os meus olhos. Os olhos dele eram surpreendentes — um verde-musgo vívido que parecia brilhante demais para seu rosto bronzeado e Carrancudo.
"Jake", ele soltou. Sua voz era baixa, um estrondo rouco que vibrava no ar pesado. "Você está atrasada."
Pisquei, meu sorriso vacilando apenas uma fração. Atrasada? "Perdão? Meu voo atrasou na pista em Miami, e então o motorista —"
"Não me importa", ele me cortou, empertigando-se. Ele se agigantava sobre mim agora, irradiando um calor que rivalizava com o sol. Ele acenou com a cabeça em direção ao Jeep, onde meu motorista estava descarregando minha bagagem. "Você tem coisa demais."
Virei-me para olhar. Meu motorista havia empilhado minhas oito malas Louis Vuitton combinando em uma pirâmide organizada. Elas eram lindas. Pareciam caras. Pareciam comigo.
"Essa é a minha bagagem", eu disse, voltando-me para ele com uma risada que soou um pouco forçada. "Vou ficar aqui por três semanas. Tenho ensaios planejados. Preciso de opções."
"Você tem um limite de peso", disse Jake categoricamente. "Isso não é um avião de carga. Vamos voar por uma rota através de uma passagem na montanha com correntes ascendentes imprevisíveis. Aquele helicóptero", ele apontou o polegar para a máquina, "pode levar a mim, o piloto, você e quarenta libras de equipamento. Só isso."
Encarei-o. Ele devia estar brincando. "Quarenta libras? Uma das minhas malas pesa quarenta libras vazia."
"Então você tem um problema."
"Não, você é quem tem um problema", retruquei, o calor finalmente fazendo minha paciência se esgotar. "Sou convidada do resort. Uma convidada VIP. Meu contrato afirma especificamente que toda a logística de traslado está resolvida. Não vou deixar minhas coisas em uma placa de concreto no meio da selva."
Jake deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal. De perto, o cheiro dele era avassalador — chuva, terra úmida e suor masculino. Não era desagradável, o que me irritou ainda mais. Era bruto.
"Escute aqui, Princess", disse ele, sua voz caindo para um tom perigosamente calmo. "Não me importo com seu contrato. Eu me importo com a física. E a física diz que, se carregarmos toda essa vaidade nessa ave, vamos cair na copa das árvores. Então, você tem uma escolha. Escolha uma mala. O resto fica aqui com o motorista e talvez — talvez — alguém a leve pela estrada de serviço em dois dias. Ou, você fica aqui com os insetos."
"Dois dias?" gritei. "Minha agenda começa amanhã de manhã! Tenho um ensaio ao amanhecer!"
"Sessenta segundos", disse ele, virando as costas para mim e sinalizando para o piloto ligar o motor.
As hélices começaram a girar, um lento vapt-vapt-vapt que rapidamente escalou para um rugido ensurdecedor. O vento chicoteou meu cabelo no meu rosto, cegando-me.
"Você não pode fazer isso!" gritei, mas ele já estava entrando na cabine.
Olhei para o motorista em busca de ajuda, mas ele apenas deu de ombros, desculpando-se, e apontou para o relógio. O pânico, frio e agudo, disparou no meu peito. Minha relações-públicas estaria gritando. Meu agente estaria ameaçando processar o país inteiro da Costa Rica. Mas eles estavam em escritórios com ar-condicionado em Century City, e eu estava aqui, suando através da minha seda, sendo intimidada pelo irmão maligno e mais gato do Captain Planet.
"Quarenta segundos!" a voz de Jake trovejou acima do ruído do motor.
Soltei um grito de frustração e corri em direção à pilha de bagagens. Uma mala. Uma mala.
Minha mente acelerou. Do que eu realmente precisava? Minha identidade estava naquelas malas. Minha rotina de cuidados com a pele que me mantinha parecendo ter vinte e dois anos. Meu equipamento de iluminação profissional, porque a luz natural era uma mentira. Meus carregadores reserva. Os quinze looks que eu havia selecionado para locais específicos.
Abri a menor mala de mão. Olhei para o meu par favorito de saltos Valentino e os joguei no concreto. Adeus. Peguei o corpo da minha câmera principal — eu não podia fotografar com um iPhone, eu tinha padrões. Meu laptop. O telefone via satélite que minha mãe insistiu que eu trouxesse. O carregador solar.
Peguei minha nécessaire de cosméticos. Era enorme, pesada e absolutamente inegociável. Era o meu rosto. Ela entrou. Enfiei a jaqueta impermeável nova e ridiculamente cara que a marca havia me enviado.
"Tempo esgotado!" Jake gritou.
Fechei o zíper da bolsa, que quase estourou. Olhei para as outras sete malas, paradas ali como crianças abandonadas. Milhares de dólares em alta costura, deixados na poeira.
Jake pulou, arrancou a bolsa da minha mão e a jogou na parte de trás do helicóptero como se não pesasse nada. Ele não me ofereceu a mão para subir. Subi, minha saia subindo de forma deselegante, e afivelei o cinto com as mãos trêmulas.
"Você vem ou não?" ele gritou, olhando para mim com aquele mesmo olhar impassível e julgador.
Encarei-o através dos meus óculos escuros. "Vou registrar uma reclamação."
"Entre na fila", ele murmurou, e sinalizou para o piloto.
O voo foi dez minutos de puro e absoluto terror. Eu já estivera em helicópteros antes — passeios sobre Manhattan, viagens para The Hamptons. Aquilo não era nada disso. Aquela lata de sardinha sacudia e chacoalhava a cada rajada de vento.
E a vista... não era uma vista. Era uma opressão.
Abaixo de nós, não havia estrada. Nem casas. Nem sinais de humanidade. Apenas um oceano de verde. Ondas infinitas e ondulantes de árvores, quebradas apenas pela névoa que subia delas como vapor. Parecia pré-histórico. Parecia sufocante. Pela primeira vez, o isolamento me atingiu. Eu não estava apenas "offline". Eu tinha sumido.
Jake sentou-se no assento do copiloto, com os fones de ouvido, parecendo relaxado. Ele não me checou. Não apontou pontos turísticos. Apenas olhou para a selva como se estivesse cumprimentando um velho amigo, completamente indiferente à mulher hiperventilando no banco de trás.
Inclinamos bruscamente, descendo em direção a uma pequena abertura nas árvores. Pousamos em uma plataforma de madeira que parecia impossivelmente pequena, pairando sobre o desfiladeiro de um rio. No segundo em que os esquis tocaram o chão, me atrapalhei com a fivela, desesperada para estar em solo firme.
Saí, e o helicóptero decolou imediatamente, levando o barulho com ele. O silêncio desabou sobre nós. Bem, não o silêncio. Uma parede de ruído. Insetos zumbindo, pássaros gritando, o sussurro de um bilhão de folhas.
"Maria vai mostrar a você a sua... tenda", disse Jake. A maneira como ele disse "tenda" fez parecer um insulto. Ele largou minha única mala aos meus pés e se afastou em direção a um galpão de manutenção sem olhar para trás.
Uma mulher com uma camisa polo impecável do resort aproximou-se apressada, radiante. "Bem-vinda, Ms. Ava! Estamos muito felizes em tê-la conosco! Sou Maria, sua Concierge."
Soltei um suspiro que nem sabia que estava prendendo. "Oi, Maria. Por favor, me diga que tem um chuveiro."
"Claro! Siga-me."
A "tenda" era uma obra-prima de decepção. Era uma estrutura de lona, sim, mas ficava sobre uma plataforma de mogno. Lá dentro, havia uma cama king-size envolta em um mosquiteiro que parecia tule. Havia uma banheira de cobre com pés. Um frigobar abastecido com champanhe gelado.
Afundei na cama, a unidade de ar-condicionado no canto cantarolando uma doce melodia. Eu conseguia fazer isso. Era apenas um cenário. Eu precisava do conteúdo. Precisava do engajamento. Precisava do dinheiro, embora ninguém — absolutamente ninguém — pudesse saber disso.
"Sua agenda, Ms. Ava", Maria disse suavemente, colocando um cartão na mesa de cabeceira. "Pensamos que uma curta caminhada guiada até a Elara Waterfall antes do pôr do sol seria perfeita. É o nosso local mais 'instagramável'. A luz atinge a água lindamente às 17h."
Olhei para o meu relógio. Eu tinha uma hora. "Parece ótimo. Quem é o Guide?"
Maria sorriu, mas houve um lampejo de hesitação em seus olhos. "Jake. Ele... bem, ele é o nosso melhor. O único certificado para os passeios na selva profunda e resposta a emergências. Você está em mãos muito seguras."
Segura. Lembrei-me do olhar frio e desdenhoso em seus olhos verdes. Eu não me sentia segura. Eu me sentia julgada.
Uma hora depois, eu estava transformada. Tinha removido a sujeira da viagem e reaplicado uma maquiagem "natural" que levou quarenta minutos. Troquei para um conjunto de trilha cor creme, novinho em folha, da coleção mais recente do patrocinador. Era elegante, ajustado ao corpo e custava mais do que meu primeiro carro. Puxei meu cabelo em um rabo de cavalo alto e severo.
Eu parecia adequada para o papel. Eu era a marca.
Encontrei Jake no início da trilha. Ele havia trocado sua camisa cáqui manchada de suor por uma regata verde-escura limpa. Foi um erro olhar, mas não pude evitar. O homem era construído como uma arma. Braços cheios de músculos, pele bronzeada e cicatrizada de uma vida que eu não conseguia imaginar. Ele parecia rude, perigoso e inegavelmente masculino.
Afastei o pensamento, segurando minha câmera de vlogging como um escudo. "Pronto para o seu close, Guide?"
Ele olhou para a câmera, depois para o meu traje creme, depois para o meu rosto. Sua mandíbula se contraiu. "Regra um: Fique na trilha. Regra dois: Não toque em nada. Regra três: Mantenha o ritmo. Se você se perder, fique onde está."
Ele não esperou por uma resposta. Simplesmente virou-se e desapareceu na folhagem densa.
Corri para segui-lo. A "trilha" era uma mentira. Era um sulco lamacento cheio de raízes que tentavam agarrar meus tornozelos. Em dois minutos, a umidade voltou com força total. Meu tecido "respirável" colou nas minhas costas. Mosquitos zumbiam em meus ouvidos, sentindo sangue fresco e caro.
"Estou tentando filmar!" gritei para as costas dele, lutando para manter a câmera firme enquanto desviava de um galho baixo. "É o meu trabalho! Talvez você pudesse, sei lá, fazer o seu trabalho? Apontar alguma coisa? 'Oh, olhe, uma árvore. Oh, olhe, mais lama.'"
Ele parou abruptamente. Quase atropelei ele.
Ele se virou e caminhou de volta para mim, diminuindo a distância até invadir meu espaço novamente. O calor que emanava de seu corpo era intenso, uma força física que se misturava ao cheiro de ozônio e do chão da floresta. Parei de respirar.
"Você quer que eu aponte alguma coisa?" ele sussurrou. O som era perigosamente baixo, íntimo e ameaçador ao mesmo tempo.
Ele levantou a mão, seu dedo calejado apontando logo atrás do meu ombro, a centímetros do meu rosto. "Está vendo aquela trepadeira? A verde brilhante com as florzinhas vermelhas?"
Olhei de relance, recusando-me a recuar. "Sim? É bonita."
"Chama-se 'Jungle Strangle'", disse ele, seus olhos fixos nos meus. "Sua seiva causa queimaduras químicas graves que arrancam a pele do osso. E você está encostada nela pelos últimos trinta segundos."

