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Ana

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Café e histórias ☕

À Discrição Deles

4.7(548)
Capítulo 1 · 5 min de leitura
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#RomanceSombrio#ReverseHarem#CaptiveRomance#MorallyGreyHero#EnemiestoLovers
Vim aqui para salvar minha irmã. Fiquei porque dois homens perigosos escreveram meu nome em um contrato sem paredes — e eu precisava saber até onde o corredor ia.

Capítulo 1

Duas semanas sendo invisível. Esta noite, paro de ser.

A gaveta na terceira fileira tem a inscrição C – D em aço cortado a máquina. As pontas dos dedos enluvados, frias contra o puxador gelado. Uma fechadura simples de cilindro aqui, sem painel biométrico — e essa é a primeira mentira que este cômodo me contou. Todos os outros armários do andar usam leitores de impressão digital do tamanho de uma unha. Este confia numa chave. Ou alguém tem sentimentalismo por hardware antigo, ou alguém quer ter certeza de quem sai daqui.

Quarenta minutos atrás, três andares acima, um homem com centeio suficiente no sangue para esquecer o próprio nome afundou numa poltrona de couro ao lado do armário giratório na sala de leitura — aquele com o corrimão de latão que sobe até o mezanino e finge ser eduardiano. Eu me inclinei sobre o braço da poltrona para depositar seu segundo copo. Dois dedos no ombro dele, o tipo de toque que uma hostess usa quando um patron está escorregando para fora da noite. Minha outra mão passou um segundo e meio no bolso interno do paletó dele. O cartão saiu plano contra a palma da minha mão, morno das costelas dele. Endireitei-me, alise a lapela da qual acabara de furtar, e fui embora. Hostess mais bêbado é uma história velha o suficiente para que ninguém se dê ao trabalho de ler duas vezes. O cartão está no forro do meu punho esquerdo. O patron está roncando sob uma cópia de Ovídio. Ele tem mais dezessete minutos antes que o barman vá verificar como ele está; a rodada foi cronometrada duas vezes, em duas noites anteriores, com um copo mais discreto.

Entre ele e esta gaveta havia quatro portas. As três primeiras leram impressões digitais; a quarta leu o cartão que eu havia levantado. Os leitores não apitam — o Elysium não anuncia sua segurança em som. Eles piscam, um ponto verde do tamanho de uma cabeça de alfinete num painel da cor da parede, e a fechadura se solta com o suspiro de uma boa dobradiça. Prendi a respiração em cada uma delas menos por nervosismo do que por uma superstição particular: a de que o prédio consegue me ouvir. O corredor entre o terceiro leitor e the archive cheira a papel e ao metal frio das fileiras de armários que já respiram através da porta.

O cilindro cede a uma chave tensora; hardware antigo guarda velhos hábitos. A gaveta desliza sobre um rolamento suave.

Ar frio sobe das pastas quando o trilho se move — aquela frieza seca, sem circulação, específica de cômodos onde o papel é guardado para sobreviver às pessoas que ele contém. Meus dedos percorrem as lombadas: Caine, Calder, Calloway. Cada pasta fica com a mesma projeção de um centímetro acima do trilho, do jeito que uma bibliotecária que um dia se importou as teria organizado. Alguém neste prédio ainda se importa com detalhes que ninguém jamais verá. Guardo esse pensamento para usar depois.

Duas semanas fingindo recolher copos nos andares de cima. Duas semanas olhando para cada dobradiça e cada câmera, memorizando o modo como os corredores se dobram sob o mármore, aprendendo quais portas registram quando se abrem e quais não registram. As fileiras de armários aqui embaixo correm em colunas brancas idênticas sob fluorescentes que se mantêm estáveis — o Elysium paga pelo tipo de luz que não mente. Nada neste cômodo finge ser um escritório de banco. Lá em cima, carvalho envernizado e o tabaco que o sommelier afirma ser ilegal em três estados. Aqui embaixo, ar reciclado e um leve cheiro de toner.

A pasta que quero é a quarta a partir do fundo, a terceira a partir da frente, dependendo de como o cômodo mede o medo. O rótulo é digitado, não escrito. C O E N, C A L L A.

A pasta não pesa nada.

Vazia não é bem a palavra. A capa de papelão carrega a sombra cor de ferrugem de um clipe que a mordeu por anos, uma pequena forma de parêntese perto da lombada. Há um leve vinco na parte inferior, deixado por uma pilha de páginas que costumava viver aqui. Tudo o que estava dentro desta pasta existiu, e então foi decidido que não existiria mais.

Um pequeno e útil canto do meu cérebro diz: Corra. O resto diz: Olhe a próxima.

Coffey: espessa. Colvin: mais espessa ainda. Coate, Cobb, Connors — todo o peso que um sistema de arquivamento deveria ter. A pasta Coen é o único fantasma em forma de clipe nesta gaveta.

As luzes se acendem.

Elas sempre estavam acesas, no corredor e ao longo das fileiras de armários. O que acende é a iluminação do teto — seis painéis embutidos, todos ao mesmo tempo, o tipo que transforma cada sombra em uma confissão. A sala vira prova. Uma mão sobre uma gaveta vira prova. Uma pasta vazia pinçada entre dois dedos vira prova. Alguém, em algum lugar, acionou um interruptor que eu não sabia que existia, e agora o papelão entre as minhas luvas é uma fotografia sendo tirada.

Ele está parado na porta. Está parado ali há alguma parte da eternidade; a nova luz apenas lhe dá contorno.

Três peças, grafite, o colete abotoado até o segundo botão de cima. Gravata de seda em um nó complicado o suficiente para ser uma pontuação própria. Cabelo da cor de chá esquecido tempo demais. Entre o polegar e o indicador — sem pressa, do jeito que um homem segura algo de que não precisa de verdade — um Zippo. Aço escovado. Ele o gira uma vez. Duas vezes. Não o abre. Em nenhum segundo dos próximos trinta minutos, ele o abre.

Ele não tem o tamanho da sala. A sala tem o tamanho dele.

À esquerda, na segunda porta — e havia uma segunda porta, ambas mapeadas, ambas cronometradas — a moldura se preenche. Camisa preta sob um casaco preto mais pesado, mangas ainda fechadas no punho, dois anéis de aço nas mãos e uma cicatriz longa e mal curada atravessando a sobrancelha esquerda. Ele não parece ter entrado na sala. A porta o gerou.

Nenhum dos dois se move.

Uma parte funcional de mim — a parte que passou doze anos retirando carteiras, relógios, isqueiros, abotoaduras e um dente de ouro em uma corrente que é ainda uma vergonha particular — essa parte já está contando. Duas portas. Uma ocupada. Uma bloqueada. Câmera no canto superior esquerdo: vermelha. Câmera no canto superior direito: vermelha. O homem de terno não deu uma respirada que valesse registrar. O homem na outra porta deu uma, exatamente uma, e os ombros não se moveram com ela.

A pasta vazia repousa contra o meu quadril como se pertencesse ali agora.

«A biblioteca fecha à meia-noite.» A voz que sai é a minha, mais ou menos. «Me perdi.»

O Zippo gira. Uma vez.

Ele não sorri. O rosto dele sabe o que é sorrir e considera isso uma forma de desperdício. A mão livre está no bolso. Os olhos mantêm a linha que tomaram quando as luzes acenderam. Existem homens que não piscam por teatro, homens com lentes de contato ruins, e homens em que algo lá dentro funciona de modo diferente. Ele é o terceiro tipo.

«Tire as luvas, Miss Coen.»

Uma coisa pequena acontece entre as costelas e não recebe nome.

Luvas são sensatas em um arquivo privado em fevereiro, e qualquer advogado de defesa nesta cidade diria isso. O nome que ele usou é o que consta no meu currículo, no meu arquivo de contratação, o que tenho respondido por duas semanas. É também o nome na pasta vazia. É também o nome sob a sombra cor de ferrugem dentro dela.

Há uma história ensaiada para este momento. Ensaiada diante de um espelho de banheiro em um sublocado que cheirava ao jantar de micro-ondas de outras pessoas. A história tem três partes e uma saída de emergência.

O homem na segunda soleira desloca o peso. Meio passo. O passo não faz nenhum som. Homens desse tamanho não se movem em silêncio a não ser que tenham treinado. Ele treinou.

«Devagar», ele diz.

Duas palavras, não três. Nada desperdiçado.

Uma luva, depois a outra, arrancadas e largadas na borda do armário — bolsos não são mais bolsos agora. A gaveta ainda está entreaberta. A pasta ainda está na minha mão.

Olhos que parecem cinzentos sob essa luz. Podem ser outras cores sob outra luz. A suspeita imediata é que eu vou descobrir.

Ele diz com tranquilidade, como se o fato já fosse notícia velha:

«Calla disse que tinha uma irmã mais nova. Achei que ela estava mentindo.»

A pasta está vazia. A pasta está vazia há algum tempo. A pasta foi esvaziada, de propósito, por alguém — e esse alguém está encostado na moldura de uma porta a três metros e meio de distância, girando um isqueiro de aço escovado entre os dedos, observando a cor escapar de uma história que tenho contado a mim mesma por um ano.

Ele conhece o nome dela. Conhece o meu. Sabe para o que foi o ano, porque o removeu antes de eu chegar.

O homem na outra porta cruza os braços. O couro do casaco faz o som que o couro faz quando é usado há muito tempo.

O Zippo gira. Duas vezes. Três vezes.

«Miss Coen», diz o homem de terno, e a cortesia na voz dele é a pior coisa na sala, «temos muito a discutir.»