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Sofia

Sofia

Alma criativa ✍️

Um Toque Imperdoável

4.7(478)
Capítulo 1 · 5 min de leitura
4.3K
#RomanceSombrio#ForbiddenLove#ForcedProximity#MorallyGreyHero#RedemptionArc
Avisaram-me que ele era um monstro que me arrastaria para a escuridão. Mas, quando o clique da fechadura soou, o meu único medo foi perceber o quanto eu desejava que ele o fizesse.

O Aviso

A primeira regra do meu trabalho é manter distância. Emocional, física, psicológica. Você é a rocha contra a qual as ondas de raiva e desespero deles quebram, mas você nunca deve deixar a água te encharcar.

A segunda regra é nunca ficar sozinha com eles. Mesmo que haja um guarda posicionado no corredor, mesmo que haja um botão de pânico colado sob a mesa. Uma porta trancada muda a química do ar. Transforma um escritório em uma gaiola, e os ocupantes em predador e presa.

Quebrei as duas regras nos primeiros cinco minutos após conhecer Ronan Croft. E a parte mais aterrorizante não foi eu ter feito isso, mas o fato de que eu queria.

Começou naquela manhã no escritório do meu chefe, Mark. O ar ali sempre cheirava a café queimado e ao pó de pastas de arquivos antigos empilhadas nas molduras das janelas.

Mark parecia não dormir há uma semana. Ele esfregou a ponte do nariz, tirando os óculos, e deslizou uma pasta parda grossa em minha direção. O baque pesado e surdo que ela deu na mesa ecoou desagradavelmente no escritório silencioso. Era o som de uma sentença sendo proferida.

"Eu não quero te dar este caso, Ev", disse ele, com a voz mais baixa que o normal. "Honestamente, eu não queria aceitá-lo de jeito nenhum. Mas o D.A. está insistindo em uma 'special monitoring'."

Estendi a mão para pegar a pasta, mas Mark a cobriu com a mão, me impedindo.

"Este não é um dos seus garotos perdidos habituais que só precisam ser ensinados a preencher um currículo", continuou ele, olhando-me diretamente nos olhos. Havia um aviso em seu olhar que beirava um apelo. "Croft é… complicado. Ele não apenas roubou aquela loja de eletrônicos dez anos atrás."

"Eu li o breve resumo, Mark", eu disse, tentando parecer profissional, embora um calafrio já tivesse percorrido minha espinha. "Assalto à mão armada."

"Agressão resultando em lesão corporal grave", corrigiu ele asperamente. "Uma funcionária, Sarah Jenkins. Ela tinha vinte e dois anos. Ele a empurrou com força suficiente para que ela voasse três metros e rachasse o crânio no chão de concreto. Seis meses em coma, Eloise. Mais dois anos de reabilitação. Ela teve que reaprender a falar e a segurar uma colher."

Eu congelei. As linhas secas no banco de dados não tinham transmitido esse horror.

"O relatório diz que foi acidental", rebati baixinho, sentindo minha habitual advogada do diabo despertar. "Ele a afastou do botão de pânico. Ele não teve a intenção de matar."

"Diga isso aos pais da Sarah", Mark finalmente retirou a mão da pasta. "Croft passou dez anos em Northgate. Aquele lugar muda as pessoas. Ele queima a humanidade delas, deixando apenas instintos. E os instintos de Croft são muito ruins. Ele é um lobo, Eloise. E se você lhe der as costas, ele vai rasgar sua garganta."

Abri a pasta.

A primeira coisa que vi foi a foto de identificação criminal — uma foto da prisão tirada, a julgar pela data, há uma semana, pouco antes de a papelada da condicional ser protocolada. Uma foto em preto e branco, a iluminação forte destacando impiedosamente cada imperfeição.

Mas eu não vi imperfeições. Vi uma tempestade.

Ronan Croft olhava para a lente não com a submissão de um detento ou a arrogância de um reincidente. Em seus olhos — que, mesmo na foto granulada, pareciam ter a cor de um céu de tempestade — havia um lampejo de desafio. Era o olhar de um homem que caminhou pelo inferno, mas não deixou o fogo transformá-lo em cinzas. Obstinado. Perigoso. E assustadoramente vivo.

"Eu fico com ele", eu disse, fechando a pasta. Minha voz não vacilou, embora meu coração tenha saltado uma batida.

Mark suspirou, recostando-se na cadeira. "Eu sabia que você diria isso. Você tem um complexo de salvadora, Hayes. Mas lembre-se: uma corda de salvamento só é útil para quem quer nadar. Croft provavelmente vai apenas te puxar para o fundo."

O corredor do bloco de reuniões da condicional sempre me deixava com os nervos à flor da pele. Paredes brancas estéreis, cheiro de linóleo barato e alvejante, o zumbido das luzes fluorescentes que garantiam uma dor de cabeça em cinco minutos.

Parei diante da porta 304. Minhas palmas estavam suando e tive que limpá-las furtivamente na saia. Estúpido. Eu trabalhava com ex-membros de gangues, com traficantes, com vigaristas de todos os tipos. Por que esse homem, cujo rosto eu só tinha visto em uma foto, provocava tal reação?

Porque você sabe o que ele fez com Sarah Jenkins, uma voz sussurrou dentro de mim. Porque você tem medo de ser a próxima.

Afastei o pensamento. O medo era pouco profissional. O medo era fraqueza. E Ronan Croft, ao que tudo indicava, conseguia farejar a fraqueza como um tubarão fareja sangue.

Bati duas vezes. O som dos nós dos dedos no metal ecoou como um tiro no silêncio. Sem esperar por uma resposta — não pedimos permissão para entrar em nosso próprio território — respirei fundo e revigorante, apertei a maçaneta e empurrei a porta pesada.

A sala era exatamente como eu esperava e, ao mesmo tempo, inteiramente diferente. Um cubo de concreto padrão sem janelas, pintado naquele mesmo bege deprimente que todas as prisões e prédios governamentais do mundo pareciam comprar em massa. No centro, uma mesa parafusada ao chão e duas cadeiras.

Mas a atmosfera… O ar aqui estava eletrizado, como o momento antes de uma tempestade.

E ele já estava lá.

Ronan Croft não estava sentado, como ditava o protocolo. Ele estava parado junto à parede oposta, no canto mais escuro, de costas para a porta. Ele estudava a emenda onde a parede encontrava o teto com tanta intensidade, como se estivesse procurando uma câmera escondida ou uma rachadura pela qual pudesse escapar.

Ele era mais alto do que eu imaginara. Muito mais alto. A largura de seus ombros, tensionados contra o tecido fino e desbotado da camisa cinza fornecida pelo estado, impunha respeito. Não era a musculatura inflada de um rato de academia, mas uma força seca e vigorosa forjada por anos de sobrevivência.

Dez anos de prisão estavam gravados não apenas em seu arquivo, mas em sua própria postura — na coluna anormalmente reta, na tensão contida de seus braços pendidos.

Fechei a porta atrás de mim. O clique da fechadura soou desconcertantemente definitivo, isolando-nos do resto do mundo.

"Mr. Croft", comecei. Minha voz estava firme, ajustada naquele tom que eu havia aperfeiçoado por anos para acalmar pessoas acuadas. "Eu sou Eloise Hayes. Fui designada como sua transition counselor."

Ele congelou. Por um segundo, pensei que ele não tivesse me ouvido. E então ele começou a se virar. Lento. Deliberado. Cada movimento era fluido, desprovido de energia desperdiçada, como um grande predador.

Quando seus olhos finalmente encontraram os meus, o ar pareceu ser sugado dos meus pulmões.

A foto mentira. Ou, pelo menos, não contara a história toda. Não conseguia transmitir o peso de sua presença. Seu rosto era anguloso, composto de ângulos e sombras, com uma barba por fazer escondendo a linha de sua mandíbula. Mas os olhos… Cinzentos, frios, eles me percorreram com um olhar que me deu vontade de fechar mais o casaco.

Não era o olhar de um homem avaliando uma mulher. Era o olhar de um raio-X. Ele escaneou meu cabelo cuidadosamente penteado, meu vestido azul-marinho severo, o crachá de identificação em meu peito, a pasta em minhas mãos. Não havia interesse naquele olhar, apenas uma avaliação de ameaça fria e desdenhosa.

Ele estava me classificando. Burocrata. Batedora de carimbo. Não é uma ameaça. Um obstáculo.

"Uma counselor", disse ele finalmente.

Sua voz era baixa, vibrante, com uma rouquidão áspera, como se ele estivesse em silêncio por tempo demais ou tivesse gritado muito. O som dela ressoou fisicamente em algum lugar do meu peito.

"É assim que estão chamando agora?" Ele deu um passo em direção à mesa, e a sala de repente pareceu minúscula.

Caminhei até meu assento, tentando me mover com confiança. Coloquei minha bolsa no chão, a pasta sobre a mesa. Este era o meu território. Eu tinha que demonstrar isso.

"Você pode chamar como quiser, Mr. Croft. Meu trabalho não depende de terminologia. Ele consiste em fornecer recursos a você: moradia, emprego, apoio psicológico. Tudo o que for necessário para sua reintegração bem-sucedida na sociedade."

Uma sombra de sorriso tocou o canto de sua boca, mas seus olhos permaneceram glaciais.

"Reintegração", repetiu ele, saboreando a palavra, rolando-a pela língua como um caco de vidro. "Uma palavra bonita. Você provavelmente a estudou por muito tempo na faculdade."

Ele segurou o encosto da cadeira à minha frente. Suas mãos eram grandes, com dedos longos, os nós dos dedos cobertos de cicatrizes brancas. A tinta azul desbotada de tatuagens subia por baixo dos punhos de sua camisa — padrões complexos e caóticos que eu não entendia, mas que claramente contavam uma história de violência.

"Você quer dizer — me ensinar a fingir que não sou um monstro?", continuou ele, encarando-me fixamente. "Me colocar em um terno barato, me ensinar a sorrir e dizer 'obrigado' para que os bons cidadãos não cruzem para o outro lado da rua quando me virem?"

"Quero dizer — ajudá-lo a construir uma vida nova", rebati, enfrentando sua pressão. Não desviei o olhar, embora cada instinto me gritasse para fazê-lo. "A vida que você merece, se seguir as regras."

Ele riu. Um som curto e latido, sem alegria nenhuma.

"Você não tem ideia do que eu mereço, Ms. Hayes."

Com um rangido agudo que me arrepiou os dentes, ele puxou a cadeira e se sentou. Ele não se recostou; inclinou-se para frente, pairando sobre a mesa, invadindo meu espaço pessoal. O cheiro dele me atingiu. Não era cheiro de prisão. Era o cheiro de sabão barato e forte, chuva e algo sutilmente metálico. O cheiro do perigo.

"Então, me diga. O que tem nessa sua pastinha mágica?" Ele acenou para o arquivo entre nós. "Diz o nome dela? A garota que eu quase matei?"

Eu congelei. Esperava que ele negasse, desse desculpas, dissesse que fora injustiçado. Mas ele partiu para o ataque.

"Tem uma foto dela depois que atingiu o chão?" Sua voz baixou ainda mais, tornando-a ainda mais aterrorizante. "Ou apenas os fatos secos? 'Traumatismo craniano'. 'Coma'. 'Deficiência'."

Ele sabia. Sabia de cada detalhe. E não estava usando aquele conhecimento para o arrependimento, mas como uma arma para me afastar, para me chocar.

"Diz que você foi condenado por assalto à mão armada e agressão resultando em lesão corporal grave", eu disse. Minha voz endureceu. Deixei de ser apenas uma conselheira; tornei-me uma pessoa que não seria manipulada. "E também diz que você cumpriu sua pena. Pagou sua dívida com a lei. Mas a dívida com sua consciência é algo com que você terá que lidar sozinho."

Seus olhos se estreitaram. Eu havia tocado em uma ferida. Bom.

"Você tem uma escolha, Ronan", usei o nome dele pela primeira vez, encurtando deliberadamente a distância. "Aqui e agora. Você pode passar a próxima hora me odiando, odiando o sistema e odiando a si mesmo. Pode rosnar e mostrar os dentes. Mas isso não muda nada. Ou pode me deixar fazer meu trabalho e ajudá-lo."

O silêncio que pairava na sala era espesso como melaço. Ele me encarava, sem piscar. Vi os músculos de sua mandíbula trabalhando. Algo brilhou nas profundezas de seus olhos — por uma fração de segundo, a máscara da besta indiferente rachou, revelando o cansaço profundo e avassalador de um homem que esquecera como esperar.

"Tudo bem", ele exalou finalmente. A palavra soou como uma rendição. "Me ajude."

A hora seguinte foi extenuante. Foi uma batalha por cada palavra. Ele respondia em monossílabos, entregando informações com relutância, como se cada "sim" ou "não" lhe custasse dor física. Preenchi formulários, expliquei as regras da casa de recuperação, falei sobre os requisitos de apresentação.

Eu sentia minhas costas doerem pela tensão. Ele ouvia, mas eu via que ele não acreditava em mim. Para ele, eu era apenas mais uma engrenagem na máquina que transformara sua vida em pó.

Finalmente, o tempo acabou. Reuni meus papéis, sentindo-me esgotada.

"Nos veremos novamente na sexta-feira, no mesmo horário", eu disse, levantando-me. Tirei meu cartão de visitas do bolso — um pequeno retângulo de cartolina branca que parecia um escudo ridículo contra a escuridão que esse homem carregava dentro de si.

"Se houver qualquer problema com o house supervisor ou com a polícia… ligue. A qualquer hora."

Deslizei o cartão pela mesa.

Ronan se levantou também. Ele se agigantou sobre mim, bloqueando a luz fraca da luminária. Ele estendeu a mão. Sua palma era larga, os dedos ásperos, marcados por pequenas cicatrizes e calosidades.

Quando ele pegou o cartão, seus dedos roçaram nos meus.

Deveria ter sido um toque fugaz, acidental. Mas ele hesitou. Sua pele estava quente e seca, áspera como lixa contra a minha palma lisa.

Um choque agudo, quase doloroso, percorreu meu braço, atingiu meu ombro e ecoou em algum lugar no fundo do meu estômago. Respirei fundo. Aquilo não era eletricidade estática. Era energia pura — sombria, magnética e assustadora.

Olhei para cima e encontrei seu olhar. Ele estava olhando diretamente para mim, e não havia deboche ou frieza em seus olhos. Havia reconhecimento. Ele também sentiu. Essa corrente estranha, inadequada e proibida entre nós.

O segundo se estendeu por uma eternidade.

Então, ele lentamente afastou a mão, quebrando o contato. O frio retornou instantaneamente, fazendo-me estremecer. Ele enfiou o cartão no bolso da calça sem olhar para ele.

Caminhou até a porta, colocou a mão na maçaneta, mas parou. Ele não se virou, mas eu sabia que estava falando comigo.

"Você acha que estas paredes são a minha prisão, Doc?", sua voz era baixa, mas preenchia cada canto da sala. "Você acha que está me libertando?"

Fiquei em silêncio, incapaz de encontrar uma resposta.

"A verdadeira gaiola está lá fora", disse ele. "E eles estão me esperando."

Ele abriu a porta e saiu para o corredor sem olhar para trás. A porta se fechou com um clique atrás dele, deixando-me sozinha no silêncio vibrante da sala estéril. Olhei para a minha mão, a que ele acabara de segurar. Meus dedos ainda estavam formigando. E, pela primeira vez na vida, eu não sabia se estava com medo por ele… ou de mim mesma.