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Capítulo 2

As palavras de Maria pairaram no silêncio de azulejos, ricocheteando nos espelhos e no mármore.

Anya ficou paralisada, o pano ainda apertado contra o peito. O cérebro se recusava a processar. Homens como Damian Blackhall, que possuíam ilhas e redesenhavam horizontes, não sabiam que pessoas como Anya Ivanova existiam. Ela vivia na lama, esfregando a sujeira da sola dos sapatos dos funcionários dele.

«Maria, isso é loucura.» Ela tentou soltar o braço; o aperto se fechou mais. «Estão me confundindo com outra pessoa. Talvez seja a Anna do turno diurno, a do refeitório?»

«Ele disse Anya Ivanova. A faxineira do turno da noite.» Maria cortou a frase. «Perguntou por você pelo nome. Agora vai, rápido. Não se faz um homem desses esperar.»

«Olha pra mim.» Ela apontou para si mesma — o uniforme cinza sem forma, úmido de água do balde, a mancha de alvejante na coxa, a rede achatando o coque descuidado. «Não posso aparecer assim na frente dele. Estou cheirando a piscina.»

«Você não tem escolha.» Maria a empurrou para o corredor vazio e ressonante do 78º andar. «Elevador de serviço. Alguém vai te encontrar lá. Vai.»

As pernas de Anya se moveram por conta própria. O elevador de serviço, claro. Não os de vidro que davam vista para a cidade. Ela era a serviçal; serviçal usa o elevador de carga.

Os pensamentos correram à frente pelo corredor. Ser demitida ainda era a hipótese mais provável, e ainda assim não fazia sentido. Por que um bilionário demitiria uma faxineira pessoalmente? Bastava estalar os dedos e o crachá dela simplesmente pararia de funcionar, e ela deixaria de existir no mundo dele.

Ou a mulher da cafeteria. O tailleur Chanel. Alguém importante. A pausa de Anya naquela manhã teria parecido insolência? Se ela tivesse ido se queixar diretamente ao topo, a humilhação seria completa. E a hora não podia ser pior. Perder essa renda agora não era apenas cruel; era o fim do apartamento, e depois do apartamento não havia para onde ir.

As pesadas portas de aço se abriram antes mesmo de ela tocar no botão.

Havia um homem lá dentro. Não um dos funcionários de manutenção de sempre, com macacão azul, chiclete e podcast no ouvido. Esse usava terno preto cortado justo o suficiente para parecer uma armadura, um ponto de escuta transparente enrolado em uma das orelhas, os pés afastados na largura dos ombros. Parecia menos com um gerente predial do que com um agente do Serviço Secreto em missão.

O olhar dele a percorreu de cima a baixo, frio e plano. Sem desprezo. Sem pena. Ele não via uma mulher, nem uma pessoa. Via um volume a ser transportado de um andar para outro.

«Ms. Ivanova?» A voz era tão asséptica quanto o corredor.

Ela acenou com a cabeça. A garganta estava cheia de areia.

Ela entrou. O elevador era maior do que o apartamento dela, forrado com aqueles acolchoados cinzas usados para mudança. O cheiro de alvejante que subia do uniforme parecia uma obscenidade naquele espaço fechado. O homem cheirava a sabonete caro e óleo de arma. Ela se sentiu como algo que ele poderia contrair.

Ele girou uma chave no painel e pressionou o 80. A cabine subiu, rápida e suave, sem nenhum dos solavancos dos outros elevadores. Os ouvidos dela tamparam. Ela observou os números se sucederem sobre a porta. 78. 79. 80.

As portas se abriram.

Ela se preparara para um escritório, baias, um telefone tocando, uma recepcionista. Não era nada disso. Era algum lugar entre uma galeria de arte e o saguão de um hotel que não aceitava gente como ela. O piso era uma única laje de mármore preto polido como espelho, e o próprio reflexo distorcido dela a encarava de volta. As paredes eram de vidro fosco iluminado por dentro com um dourado suave. O ar aqui era mais frio, filtrado, e não cheirava a absolutamente nada.

Do outro lado da sala, atrás de uma ampla mesa do mesmo mármore preto, estava sentada uma mulher. Impecável, cabelo preso num chignon severo, maquiagem exata, um headset que parecia uma joia. Ela não levantou os olhos.

«Leve-a para dentro», disse ela ao ar.

O agente empurrou Anya para a frente. «Por aqui.»

Ele a conduziu por um corredor que parecia esculpido em uma única peça de nogueira escura, a iluminação baixa e direcionada a quadros que provavelmente custavam mais do que o ala do hospital onde a mãe de Anya morreu. As solas de borracha das botas dela chiavam no chão a cada passo.

Chiu. Chiu.

Cada som anunciava que ela não pertencia ali, que era sujeira que havia escapado para dentro de uma sala limpa. Ela queria flutuar, fazer qualquer coisa menos produzir aquele barulho.

O corredor terminou em um par de portas duplas, três metros de altura, madeira escura, sem maçanetas. O agente parou, tocou o ponto de escuta, ouviu algo que ela não conseguia ouvir e assentiu uma vez.

As portas se abriram sozinhas, para dentro, sem o menor som.

«Ms. Ivanova, senhor», disse o agente às costas do homem que estava na sala.

Anya deu um pequeníssimo passo além do limiar. O agente ficou onde estava. As portas se fecharam atrás dela com um clique suave e definitivo.

O prédio inteiro onde ela morava em Queens caberia dentro deste escritório.

Três das paredes eram de vidro, do chão ao teto, e além delas New York se estendia a seus pés, um campo de luz que corria até o horizonte. Os táxis, as sirenes, os gritos — nada disso chegava até aqui. Era um filme mudo, e ele passava apenas para um espectador.

No meio de tudo aquilo, de costas para ela, estava o homem.

Damian Blackhall.

Mais alto do que as fotos dos tabloides faziam parecer. Um terno azul-marinho cortado junto aos ombros. Ele não se moveu. Uma mão no bolso, a outra segurando um copo de licor âmbar, ele olhava para baixo, para a cidade que considerava sua.

Anya ficou paralisada, as mãos entrelaçadas uma na outra para que não tremessem. Uma única gota de suor desceu pelas suas costas por baixo do uniforme. Ela não ousou limpar a garganta. Esperou que ele se virasse e reconhecesse que ela estava ali.

O capítulo 2 está pronto

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